As Big Corps Estão Tentando nos Dizer Algo e Não Estamos Escutando

As Big Corps Estão Tentando nos Dizer Algo e Não Estamos Escutando

Os movimentos do mercado estão sempre nos dizendo algo, mas, sejamos honestos, os reais intuitos frequentemente passam batidos. Isso acontece porque a gente foca demais nas narrativas bonitinhas e de menos nos objetivos por trás delas.

Quem, assim como eu, acompanha de perto os movimentos de diversidade e inclusão, já entendeu a questão: as grandes corporações estão fugindo das metas e programas de DEI. E o pior? Pouca gente realmente para pra entender o que de fato está motivando isso. É mais fácil fortalecer o discurso dos "adivinhadores de plantão", encontrando vilões e mocinhos para suas histórias do que analisar o motivo real por trás das decisões.

A verdade é que empresas vivem de altos e baixos e precisam jogar com as ondas. Nem toda onda é boa para surfar. Tem hora que você se encolhe, deixa ela passar e segue o jogo. Decisões corporativas seguem essa lógica: alinham-se aos interesses dos acionistas e, a partir daí, o resto vira consequência.

Quando falamos de DEI, é fato que essas agendas não entregaram o valor esperado para os negócios. Sabe por quê? Porque vivemos em uma sociedade que ainda não sabe conciliar justiça social com produtividade. Nosso discurso está cheio daquela ideia de que “empresas que fazem mais práticas sociais são melhor vistas pelo mercado”. Só que, sejamos francos: se o único motivo for esse, muitas empresas não vão nem sair do lugar. Aliás, algumas podem até perder investidores no caminho.

O papel das empresas não é salvar o mundo, muito menos fazer caridade. O papel delas é garantir produtividade, seguir as regras (e olha que não são poucas) e equilibrar recursos financeiros, humanos e naturais. Agora, quando uma organização começa a “forçar a barra” com discursos do tipo “fazemos o bem pra comunidade X ou o grupo Y”, isso é feito esperando algo em troca. E quando esse retorno não vem, pode apostar que na primeira crise esses projetos viram alvo de cortes.

E não é só com DEI. A agenda ESG inteira me preocupa nesse aspecto. Tem muita gente pregando que “empresas serão mais lucrativas com ESG porque consumidores preferem produtos sustentáveis”. Mas vamos à realidade: quando o orçamento aperta, o consumidor corta o que não é essencial. Sustentável ou não, a prioridade será o básico.

O problema é que, ao invés de investir em estratégias sustentáveis que realmente se sustentem (e gerem valor), muitas empresas gastam energia pra parecer sustentável. Resultado? Não encontram o retorno esperado, se frustram e largam tudo.

No caso da diversidade, a coisa fica ainda mais complicada. A pauta virou política, polarizada, e isso afasta ainda mais as pessoas. Tem gente que nunca viveu discriminação na pele, então não entende e, sinceramente, talvez nunca vá entender. É fácil rotular isso tudo como “agenda woke”. Por outro lado, tem os oportunistas que enxergam na diversidade uma chance de fazer mais negócios independentemente da sua geração de valor verdadeiro. E aí o que acontece? O ceticismo cresce, e os desavisados no centro das decisões desistem na primeira oportunidade, até porque, quem tem o dinheiro na mão escolhe a direção para onde quer ir (essa é a realidade).

A gente precisa mudar a forma como essas agendas são tratadas. Diversidade, equidade e inclusão precisam de uma nova abordagem. ESG também. Narrativas rasas geram resultados rasos, e isso só aumenta a frustração e o descrédito.

E vou dizer: não é jogando pedra em quem desacredita que as coisas vão mudar. Julgamento não educa ninguém, mas inibir o julgamento é ainda pior, pois não gera diálogo. O primeiro passo é entender os motivos por trás das resistências. Diversidade não é privilegiar ninguém, é gerar oportunidade e respeito para todo mundo.

É claro que isso não vai acontecer da noite para o dia. Os vieses inconscientes estão em todos nós, e levar isso “a ferro e fogo” só cria mais resistência. Queremos organizações que respeitem a todos, mas isso exige paciência, estratégia e, acima de tudo, diálogo.

O futuro da diversidade não é quando tivermos cotas, metas atingidas, diretorias de DEI ou discursos inflamados sobre o tema. É quando a gente não precisar mais falar sobre isso, e isso só acontece quando todos passarem a ser respeitados por serem pessoas assim como nós e não pela sua posição social, orientação, cor da pele, religião ou gênero.

Cada um viveu uma vida única, com experiências únicas e realidades que são só suas, talvez esse seja o maior motivo para termos pessoas com vivências, realidades e perspectivas diferentes em nosso time, pois assim, tudo aquilo que você não viveu e não sabe como é, alguém do seu time conhecerá e lhe ajudará a decidir através da sua vivência e não da suposição.

Que esse movimento seja o ponto de reflexão que precisamos para entender que o tema não se trata apenas de uma "tendência de negócio" mas que se trata de produtividade e estratégia para que as organizações alinhem discurso com realidade e principalmente, para que as narrativas vazias percam um pouco do seu poder (até porque hoje a narrativa tem mais força do que a ação e se tem algo que precisamos mudar, deveríamos começar por aí).

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