IA Generativa e o Sistema Financeiro: o que revela o novo estudo do BIS

IA Generativa e o Sistema Financeiro: o que revela o novo estudo do BIS

A IA generativa — aquela que consegue criar textos, imagens, códigos e até vídeos a partir de comandos simples — traz grandes impactos. No mundo financeiro, isso representa tanto uma grande oportunidade quanto riscos relevantes. Um estudo recente do Banco de Compensações Internacionais (BIS) analisa como a IA generativa está sendo aplicada no setor financeiro e o que empresários e reguladores devem observar nos próximos anos.

O que é IA generativa?

É uma tecnologia baseada em modelos de linguagem (como o ChatGPT, Claude, Gemini, entre outros), capaz de criar conteúdo original com base em grandes volumes de dados. No setor financeiro, isso pode significar:

  • Resumos de relatórios;
  • Geração automática de código;
  • Atendimento ao cliente via chat;
  • Apoio na leitura de contratos;
  • Explicações sobre produtos financeiros complexos.

Como o setor financeiro está usando a GenAI?

O BIS identificou quatro grandes tipos de uso:

  • Automatizar tarefas internas

    Exemplo: escrever código, gerar minutas contratuais ou responder dúvidas frequentes.

  • Pesquisar e interpretar documentos

    Exemplo: extrair cláusulas de contratos ou localizar trechos importantes de normas regulatórias.

  • Gerar conteúdo personalizado

    Exemplo: criar relatórios ou apresentações adaptadas ao perfil de um cliente ou investidor.

  • Interagir com clientes de forma mais natural

    Exemplo: assistentes virtuais que conversam com o cliente em linguagem simples e compreensiva.

Quais são os benefícios?

  • Aumento de produtividade: tarefas que antes levavam horas, agora podem ser feitas em minutos.
  • Redução de custos: automatização de processos repetitivos.
  • Melhoria na experiência do cliente: respostas mais rápidas e personalizadas.
  • Acesso facilitado à informação: mesmo documentos longos e técnicos podem ser resumidos automaticamente.

Quais os riscos?

Apesar do potencial, a GenAI apresenta riscos sérios se for usada sem critério:

  • Erros ou “alucinações”: o sistema pode gerar informações incorretas com aparência de verdade.
  • Falta de transparência: é difícil entender como a IA chegou a determinada resposta.
  • Dependência de grandes empresas de tecnologia: poucas companhias dominam o desenvolvimento desses modelos, o que pode gerar concentração de poder.
  • Reprodução de preconceitos: como a IA aprende com dados históricos, pode repetir padrões injustos.

Por que o uso ainda é limitado?

Muitos bancos e instituições financeiras estão testando a tecnologia em ambientes internos, especialmente em áreas de suporte, como jurídico e compliance. Mas ainda existe cautela para usá-la em decisões mais críticas (como concessão de crédito, risco ou investimentos). As barreiras principais são:

  • Falta de regulamentação específica;
  • Risco de danos à reputação em caso de erro;
  • Pouco conhecimento técnico interno.

Qual a recomendação do BIS?

O BIS recomenda que os reguladores:

  • Exijam responsabilidade humana sobre as decisões da IA;
  • Avaliem o uso da GenAI com base nos riscos reais de cada caso;
  • Incentivem práticas de governança e segurança cibernética;
  • Estimulem a transparência e a explicabilidade dos modelos usados.

Onde acessar?

O BIS Working Paper Nº 1269, Expecting job replacement by GenAI: effects on workers' economic outlook and behavior, pode ser acessado em https://www.bis.org/publ/work1269.pdf

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