Como Transformar o Mapeamento de Processos em uma Ferramenta de Avaliação Eficaz

Como Transformar o Mapeamento de Processos em uma Ferramenta de Avaliação Eficaz

Uma das atividades fundamentais realizadas por especialistas em controle interno e auditores internos é o mapeamento dos processos operacionais que serão avaliados.

Antes de tudo, é importante entender que um processo operacional é um conjunto de tarefas logicamente organizadas com o objetivo de entregar produtos ou serviços que agreguem valor. Ele permite que a gestão aloque melhor recursos, ações e decisões para alcançar metas e objetivos estratégicos. Assim, fica claro que um processo só faz sentido se estiver conectado à estratégia da empresa.

Outro ponto importante é que cada processo deve ter um gestor responsável que desempenhe as funções de gestão — planejar, organizar, dirigir, executar e monitorar. Esse gestor também responde pela gestão de riscos e pelo sistema de controles internos do processo.

O mapeamento de processos é uma prática essencial tanto ao modelar novos processos quanto ao avaliar os existentes, para verificar se são eficientes, eficazes e econômicos. Além disso, o mapeamento é indispensável para analisar se o sistema de controles internos é suficiente para manter os riscos em níveis aceitáveis, alinhados ao apetite de risco da organização.

Em uma auditoria de desempenho ou operacional, o mapeamento faz parte da fase de planejamento.

Atualmente, é muito comum usar a metodologia BPM para desenhar processos, mas ela não distingue claramente uma tarefa de um controle interno. Como resultado, o diagrama frequentemente se parece mais com um blocograma do que com um fluxograma útil para uma avaliação mais precisa.

Este artigo propõe uma reflexão: como podemos aprimorar esse mapeamento, tornando-o mais simples e, ao mesmo tempo, mais eficaz para avaliar tanto o processo quanto o sistema de controles internos?

O primeiro ponto diz respeito à forma como o processo é mapeado. Funciona melhor quando conduzido por meio de entrevistas planejadas com quem executa as tarefas no dia a dia. Nessas entrevistas, o especialista ou auditor precisa ter habilidade para identificar claramente o que é tarefa e o que é controle.

Simplificando:

  • Um controle interno é uma ação voltada a reduzir a probabilidade de materialização de um risco. Por exemplo: revisar, conferir, recalcular, aprovar, autorizar, entre outras.

  • Um controle é um ponto de decisão: se tudo estiver correto, o processo segue; caso contrário, volta para correção. No fluxograma, o controle deve ser representado por um losango (também chamado de gateway).

Por outro lado:

  • Uma tarefa é uma ação de execução, como registrar, demonstrar, arquivar ou relacionar informações. No fluxograma, ela é representada por um retângulo.

[IMAGEM: https://media.licdn.com/dms/image/v2/D4D12AQEEq2GCOAj4hg/article-inline_image-shrink_1000_1488/B4DZdB1tl_HMAQ-/0/1749156289388?e=2147483647&v=beta&t=B8epsHKHwmCQerIuyIOrx3yfkagOLM0hS_S2HrEjuyY]

Com isso, perceba como podemos simplificar: basta usar três símbolos para criar o fluxograma:

  • Um círculo para marcar início e fim do processo,

  • Um retângulo para as tarefas,

  • E um losango para os controles.

Esse modelo torna o fluxograma mais claro, objetivo e fácil de usar na avaliação.

Gosto particularmente de usar o formato “swimlane” no fluxograma, em que faixas horizontais indicam os papéis ou funções envolvidos no processo. Isso ajuda a visualizar melhor se há uma boa segregação de responsabilidades, essencial para evitar falhas.

Tenha em mente: o fluxograma deve sempre representar o processo como ele é atualmente executado, não como gostaríamos que fosse. Portanto, após o mapeamento, é essencial validá-lo por meio de um walkthrough, ou seja, percorrendo o processo junto com o responsável para confirmar que o que está descrito é preciso.

Ao final, teremos uma visão clara de:

  • Todas as tarefas do processo,

  • Todos os controles internos existentes.

Esses elementos são a base para avaliar:

  • Se o processo é eficiente e eficaz,

  • Se o sistema de controles internos é suficiente e eficaz.

Todos os controles internos identificados devem ser registrados na matriz de controles internos, onde serão organizados para facilitar a análise.

Muitas vezes me perguntam: “É necessário identificar riscos no fluxograma?” Minha resposta: não é obrigatório, mas também não há problema em fazê-lo. Se desejar, você pode incluir essa informação, vinculando-a à matriz de riscos do processo.

Espero que este artigo tenha ajudado você a refletir sobre o tema e, quem sabe, aprimorar seu processo de mapeamento de processos operacionais.

Desejo grande sucesso e seja feliz!

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