Fraudes com Dados Sintéticos: o que é e como funciona este tipo de fraude

Fraudes com Dados Sintéticos: o que é e como funciona este tipo de fraude

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), somos 212 milhões de brasileiros (Dados Junho/2024). No entanto, o número de CPFs ativos no país ultrapassa, com folga, esse total populacional. Esse descompasso é um indicativo claro de um problema estrutural: a proliferação de dados sintéticos e duplicidades de CPFs usados para fraudes em larga escala, especialmente na abertura de contas digitais.

O que são dados sintéticos?

Dados sintéticos são informações geradas artificialmente com o objetivo de simular dados reais. Em ambientes legítimos, eles são utilizados para treinar modelos de machine learning ou testar sistemas sem expor dados sensíveis. Porém, quando utilizados de forma maliciosa, tornam-se ferramentas poderosas para fraudes. Um exemplo é a criação de um "perfil sintético" — uma combinação de informações reais e falsas, como um CPF ativo, mas associado a nomes, endereços e contatos inexistentes.

Como funciona a duplicidade de CPFs?

A duplicidade de CPF ocorre quando o mesmo número de cadastro é vinculado a múltiplas identidades digitais diferentes. Esse fenômeno pode ser explorado por fraudadores de duas formas principais:

  • Perfis sintéticos múltiplos com um único CPF: O fraudador associa o mesmo número de CPF a vários perfis falsos, utilizando variações de nome, telefone e endereço. Cada perfil pode ser usado para abrir uma nova conta bancária ou contratar serviços de crédito.
  • Reciclagem de CPFs inativos ou desatualizados: Em muitos casos, CPFs de pessoas falecidas ou inativas são reutilizados para criar novas identidades, aproveitando brechas em cadastros públicos e privados.

Técnicas mais comuns utilizadas por fraudadores

  • Automação de cadastros: Bots que fazem ataques de preenchimento em massa, criando milhares de perfis com variações mínimas.
  • Análise de lacunas cadastrais: Exploração de bases de dados públicas ou vazadas para construir perfis suficientemente críveis.
  • Uso de documentos falsificados ou adulterados: Impressão de documentos com dados reais e fotos falsas, aproveitando a fragilidade de validações superficiais.
  • Abuso de sistemas de validação fracos: Plataformas que aceitam cadastro apenas com validação de CPF ativo na base da Receita Federal estão especialmente vulneráveis.

O impacto nos bancos digitais

A arquitetura moderna dos bancos digitais — baseada em onboarding 100% online — é ao mesmo tempo uma vantagem competitiva e um vetor de risco. A ausência de interação humana no processo de abertura de conta exige que os mecanismos de validação de identidade sejam extremamente robustos. A multiplicação de contas falsas compromete a segurança da operação, aumenta o risco de lavagem de dinheiro e pode gerar sanções regulatórias.

Como mitigar fraudes com dados sintéticos?

A prevenção exige uma abordagem multidisciplinar, que una tecnologia, governança de dados e compliance. Algumas estratégias eficazes incluem:

  • Validação biométrica forte: Reconhecimento facial com prova de vida e validação cruzada com bases oficiais.
  • Score de risco sintético: Modelos que identificam padrões suspeitos em perfis (e.g., telefone e e-mail descartáveis, ausência de histórico de crédito, cadastros múltiplos com o mesmo CPF).
  • Data enrichment com fontes confiáveis: Cruzamento em tempo real com bases de dados públicas, privadas e comportamentais.
  • Monitoramento contínuo: Não basta validar apenas na entrada. O comportamento da conta precisa ser acompanhado constantemente para detectar desvios.

A fraude com dados sintéticos e a duplicidade de CPFs são sintomas de um ecossistema ainda vulnerável, que precisa amadurecer em termos de segurança digital. A confiança é o principal ativo dos bancos digitais — e protegê-la exige vigilância contínua, investimento em tecnologia e colaboração entre instituições.

* https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/09/02/brasil-tem-125-milhoes-de-cpfs-ativos-a-mais-que-a-populacao-total-e-tcu-cobra-receita-federal.ghtml

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