Desafios de Prioridades dos Comitês de Auditoria segundo Pesquisa do ACI Institute da KPMG Brasil

Desafios de Prioridades dos Comitês de Auditoria segundo Pesquisa do ACI Institute da KPMG Brasil

Os comitês de auditoria no Brasil enfrentam desafios significativos em várias áreas, segundo dados da recente pesquisa realizada pelo ACI Institute da KPMG Brazil feita para o debate na 85ª Mesa Redonda, com seus membros locais, com 126 participantes do segmento, que aponta diversas prioridades, algumas das quais merecem atenção particular, e que queria compartilhar aqui com vocês, até porque fui um dos que respondeu à pesquisa dizendo que eles são relevantes e merecem nossa atenção.

Riscos Associados à Segurança de TI, Risco Cibernético e Inovações

Segurança de TI (4,0) e riscos de inovações em TI, como IA e uso da nuvem (4,0), receberam a mais alta prioridade, e fui um deles que também tem esta mesma percepção desta ameaça. Isso evidencia a necessidade de se aprimorar os controles internos de segurança cibernética e de dados, em conformidade com a LGPD. O rápido desenvolvimento tecnológico impõe a necessidade de revisão constante de protocolos, aumentando a complexidade da governança.

Riscos Relacionados às Demonstrações Financeiras

Talvez motivados por recentes escândalos e fraudes financeiras, como das Americanas, com um índice de 4,2, os riscos relacionados às demonstrações financeiras, incluindo a qualidade dos profissionais de contabilidade e as estimativas e julgamentos contábeis, são outra alta prioridade. Isso reforça a importância de processos robustos de auditoria interna e externa e da implementação de controles internos eficazes.

Governança, Risco e Conformidade (GRC)

Sou um dos que acredita, até pela minha experiência prática no segmento, de que estas 3 palavras não conseguem mais andar separadas. Fazem parte do mesmo bloco importante para qualquer empresa, independente do tamanho. Não vão ter sucesso sem ter estas 3 coisas!

Os riscos relacionados ao GRC também são uma área de foco (4,0). O comitê de auditoria deve estar bem alinhado com as políticas regulatórias, práticas de conformidade e deve garantir que controles internos estejam em lugar.

Interação com o Conselho de Administração e outros Comitês

Melhoria na interação do comitê de auditoria com o conselho de administração (4,4) e com a auditoria interna, head de riscos e head de compliance (índice não fornecido) são outras preocupações de alto nível. Isso destaca a necessidade de uma comunicação eficaz entre várias partes interessadas na governança da empresa. Também acho que sem uma boa comunicação e trabalho conjunto com uma visão corporativa alinhada, não atingiremos os objetivos comuns.

Número de Reuniões

Quanto ao número de reuniões previstas para 2023, 29% responderam que terão 10 a 12 reuniões, e outro 29% disseram que terão mais de 12 reuniões. Esse dado demonstra o aumento da carga de trabalho e da responsabilidade dos comitês de auditoria. Isto me preocupa, junto com o aumento de escopo de trabalho, incluindo a parte acima de GRC. O que me faz acreditar de que para muitas empresas de maior tamanho e complexidade, deve-se separar isto e criar um comitê separado para GRC.

ESG e Outros Riscos

Outros riscos como os econômicos, políticos e geopolíticos (3,6) e riscos relacionados ao ESG (índice não fornecido) também são relevantes, mesmo que com menor prioridade comparado aos já citados. A gestão desses novos riscos requer uma estratégia bem definida e práticas robustas de monitoramento.

Como podemos ver acima, os comitês de auditoria no Brasil estão enfrentando um ambiente complexo e em rápida evolução, que exige uma abordagem multifacetada para gerir riscos eficazmente. A expertise em diversas áreas, desde gestão de riscos, passando por TI até contabilidade e regulamentação, torna-se cada vez mais importante na composição deste grupo.

Podem ter acesso aos resultados em: https://midia.kpmg.com.br/comunicados/images/2023/769004963/votacao-inscricao-mesa-85.pdf

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